domingo, 23 de janeiro de 2011

Construção do Hotel Quitandinha II






Um detalhe que para muitos pesquisadores seria improcedente de haver existido. Mas o mesmo foi real, o de um projeto de autoria de Oscar Niemeyer, produzido a pedido de Rolla, para um prédio-condomínio, que comportaria 5.700 apartamentos (em 1950). O famoso "Condomínio Mauá", que seria construído ladeando o Quitandinha Palace.

O mesmo projeto chegou a ter unidades vendidas por seu construtor, Joaquim Rolla, porém o empreendimento não se realizou em Petrópolis, e foi construído em menor escala no formato de Condomínio, o Edifício JK, em Belo Horizonte, também um projeto de Niemeyer.

O Mega projeto não seria adequado às condições ambientais da região, e na época em que foi projetado, o Quitandinha perdera sua magnitude, sendo então o condomínio mais um dos empreendimentos imobiliários de especulação na região serrana na era de seu pseudo-modernismo.

  (observe atentamente a desproporcionalidade deste mega-projeto comparado com o Quitandinha que é ladeado pelo mesmo)




Para as obras artesanais, inúmeros artistas foram contratados no exterior, até mesmo asiáticos.
No seu auge, o Quitandinha chegou a empregar 1.500 pessoas e abrigou em seus salões os figurões da República, artistas de renome nacional e internacional e a nata da elite nacional. Por sua "boite"  se apresentaram artistas como Grande Otelo, Oscarito, Emilinha Borba, Marlene e a vedete Virgínia Lane. Passaram também por seus salões estrelas do porte de Errol Flynn, Orson Welles, Lana  Turner e Henry Fonda. E políticos como Getúlio Vargas e Evita Perón.



Nas suas dependências ocorreu a assinatura da declaração de guerra dos países americanos ao eixo (história), durante a Segunda Guerra Mundial, a Conferência Interamericana de 1947. Realizou-se também, em 1957, a 16ª Conferência Mundial de Bandeirantes, que contou com representantes de 23 países Associados à WAGGGS (Word Association of Girl Guides and Girl Scouts), a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro, entre outros inúmeros eventos nacionais e internacionais.

Nos anos de 1954 à 1957 ocorreram os famosos concursos de Miss Brasil com a concorrência de inúmeros empresários relacionados à esta festa que tornava-se importante pelo evento internacional que se realizava logo a seguir, um charme para a época.

Joaquim Rolla, o empresário que construiu o Quitandinha era muito bem relacionado no governo e, com isso conseguiu proteger-se da proibição do jogo. Amigo de Amaral Peixoto, o interventor do Rio de Janeiro que era genro do Presidente Getúlio Vargas, Joaquim Rolla negociou com o governo um contrato que lhe garantia uma indenização de 120 mil contos de réis, na eventualidade do jogo ser proibido em território nacional, o que, de fato, viria a acontecer dois anos depois da noite de 12 de fevereiro de 1944 (inauguração). Mais precisamente por um decreto assinado por Dutra em 30 de maio de 1946.

Não conseguindo sobreviver só como hotel de luxo, os apartamentos foram vendidos a partir de 1963. O conjunto em janeiro de 1989, foi totalmente restaurado, aguardando-se a abertura dos jogos no Brasil.

Quando o Cassino foi inaugurado ocorreu um banquete para duas mil pessoas, no salão Marcondes. Conversíveis, “rabos de peixe”, limusines chegavam com grande movimento. Os ônibus especiais da UTIL e da ÚNICA faziam fila em sua entrada, além de “carros de praça ou aluguel”.
Além do banquete havia ainda o show Vogue 44, com Grande Otelo, Yma Sumac, Alvarenga e Ranchinho. Duas orquestras, de Carlos Machado e do maestro Gaó, tocariam durante o jantar e o baile. Devido à grande quantidade de convidados, o jantar começou a ser servido às 23h30 e o show às 2h15 da manhã, quando pouca gente podia assisti-lo não só por causa do atraso, mas também pela grande quantidade de bebida ingerida.

O Sr. Orlando Klôh tem razão, bons tempos! (Garson do Hotel)

Mas não devemos nos esquecer que a construção do Hotel acelerou também a descaracterização do sitio histórico Petropolitano invadido pela construção de inúmeros “espigões” em nome do “progresso e do modernismo”. Uma “falsa alavanca” desenvolvimentista em uma cidade histórica.



Já a construção ficara a cargo de Alcebíades Monteiro Júnior, ou Monteiro Filho (foto), que nasceu em Lisboa (Portugal) 1909 e chegou ao Brasil com 11 anos de idade, em 1920.

Monteiro fora companheiro de estudo no Liceu de Artes e Ofícios de nomes como Cândido Portinari, Manoel Faria, Rui Campelo (pintores), Calmon Barreto (gravador), e Antonio Nássara (arquiteto). E além de construtor fora principalmente desenhista e chargista-caricaturista de famosas revistas cariocas como Para Todos, O Malho, Tico-Tico. Organizara desfiles para o Clube dos Fenianos, sociedade carnavalesca carioca de grandes carros em 32. E após a construção do Quitandinha, veio morar em Petrópolis e ficou responsável pela construção do edifício Minas Gerais, sede do Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais; do edifício Imperador e  na década de 1950 encerrou suas atividade em cenários de filmes da Cinédia.


 (cúpula em construção)

Quanto ao Quitandinha, são cinqüenta mil metros quadrados e seis andares; salões com dez metros de altura; quatrocentos e quarenta apartamentos; treze grandes salões. Um destes salões, o Mauá, reservado ao cassino, impressiona como obra de engenharia por possuir uma cúpula com trinta metros de altura e cinqüenta diâmetro, sendo a segunda maior cúpula do mundo, comparada a redoma da Catedral de São Pedro em Roma. Tamanha dimensão impressiona ainda mais quando nos fazemos presentes neste salão, mais precisamente em um ponto definido onde sua voz pode ecoar por até quatorze vezes pelo salão. Bem à frente do palácio estendem-se um lago com 18 mil metros quadrados.

(obras de construção do lago)

Um comentário:

  1. Seria sincero citar a fonte da qual foi reproduzida a materia e de publicação original das fotos.
    petropolisnoseculoxx.zip.net

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