domingo, 2 de janeiro de 2011

Concurso de Miss Brasil




O concurso de Miss Brasil, foi destaque em nossa sociedade desde a década de 20, mesmo que alguns atribuam suas origens ao final do século XIX, em plena belle époque.

Em plena década de 20 as mulheres lutavam por um espaço político e representativo na sociedade,  e a ideologia machista afirmava que a beleza é que representava a verdadeira condição da mulher, estampada nos jornais de então. Assim estabeleceu-se uma luta ideológica, onde o sufragismo foi a bandeira de maior presença.
Nesta representatividade, a paulista Zezé Leone, foi a miss de 1922; mais tarde, Olga Bergamin de Sá, 1929; e no ano da revolução, 1930, um jornal carioca, A Tarde, promoveu no Rio de Janeiro o "Miss Brasil" e o "Miss Universo", sendo que Iolanda Pereira, a gaúcha, venceu os dois concursos.

Na década de 30, destacaram-se as cariocas Ieda Telles de Menezes (1932) e Vânia Pinto (1939), eleitas Miss Brasil; depois a goiana Jussara Marques, em 1949.

Porém, a verdadeira história do concurso de Miss Brasil, contando com a incansável presença da mídia e das empresas de produtos de beleza que foram criadas nos anos 50, mais precisamente em 1954, em uma passarela armada na boate do Hotel Quitandinha, em Petrópolis. Por ela desfilaram misses de diversos estados da federação, diante de um público extasiado tendo por fundo um cenário hollywoodiano como do Quitandinha.

Muitos atribuem esta notoriedade do concurso ao reflexo da realização em Long Beach, na Califórnia em 1952 de um concurso de Miss Universo que foi transmitido para todo o país, fato de grande importância para o universo feminino de então, e com grande popularidade.

Mas, o concurso que foi realizado no Quitandinha, em uma noite do mês de junho de 54, com a presença de jurados formados entre inúmeras personalidades destacadas no cenário nacional, como os escritores Manoel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, o artista plástico Santa Rosa, a colunista Helena Silveira, entre inúmeros outros participantes. Fato que propiciou relevo nacional e internacional ao concurso.

Ao analisarmos a vida de Bandeira nos anos 50 e sua biografia observamos semelhante, na data de uma carta-poema, onde menções existem a um livro publicado em 1954 - o Itinerário de Pasárgada, e a um concurso para a escolha da Miss Brasil 1954, e a uma escultura do poeta feita em 1955.

A participação de Manuel Bandeira nesse evento do Hotel em Petrópolis, o condicionou a presidente do júri, um delírio para o público presente, com a presença do famoso poeta.

Bandeira, dedicou-se a "...sabatinar as candidatas com perguntas repetidas sobre literatura, geografia e arte...", que "...não contavam para o prêmio, mas divertiam...", e decidiu-se, por fim, pelo nome de Marta Rocha. Isto, segundo a reportagem de um colunista social e publicada na revista O Cruzeiro.

A mesma reportagem destaca “...o efusivo cumprimento de Bandeira à escolhida...”, presente em uma foto conhecida e que possuía a seguinte legenda: "A BELA E O POETA”. “...O poeta consagrou Miss Brasil, após a proclamação, beijando liricamente as faces de Maria Marta Haecker Rocha, a loura baianinha vencedora...". Foi nessa noite, sob o imponente Quitandinha, que Marta Rocha começou o seu reinado de históricas décadas na lembrança dos brasileiros.

Lamentável foi que Marta Rocha não se tornasse a vencedora do concurso de Miss Universo pelas famosas “duas polegada à mais”, porém, ficou em segundo lugar.



Na seqüência de concursos realizados no Quitandinha, o Miss Brasil de 1957,  em 22 de junho de 1957, também chamou a atenção dos brasileiros, pela vitória da bela amazonense, Terezinha Morango, eleita entre vinte candidatas que disputaram a quarta edição do concurso que e que teve transmissão pela TV Tupi diretamente do Hotel.

Outro detalhe não deve passar despercebido, o maio que as candidatas trajavam, de uma elegância para o período e que era exclusividade da malharia Petropolitana, Águia, de marca Catalina, consagrada internacionalmente.

Petrópolis, orgulhosamente era sede da beleza brasileira e da indústria de malhas de qualidade, ante a falsa avalanche modernista e especulatória que agredia o patrimônio histórico no período.

9 comentários:

  1. Meu nome é Lidia Taveira e fui eleita Miss Petrópolis 1966, no Palácio Quitandinha.
    Lá mesmo concorri ao Miss Estado do Rio, sendo que o concurso do Miss Brasil foi no Maracanazinho.
    Fui anfitriã de muitas Misses internacionais e o concurso foi muito badalado na época, com várias personalidades famosas, participando do júri.
    Há vários anos Petrópolis não elegia nenhuma Miss, e esse foi o primeiro e último concurso de Miss Petrópolis realizado no Quitandinha.

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    1. Bom encontra-la, mesmo que pela NET, depois de 48 anos.
      Henrique A. S. Luiz

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    2. Nós nos conhecemos?

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Sim, nos conhecemos, corria o ano de 1966 e a Lidia foi testemunha de registro de nascimento de minha filha, junto com José Augusto Carneiro, hoje padre JAC

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    1. Lamento, mas não me recordo do fato, mas sinto-me honrada em ter sido testemunha do registro de nascimento da sua filha.
      Quanto ao José Augusto Carneiro, foi um grande e fiel amigo, e mesmo morando em outro Estado, lembro-me com muito carinho, dele insistindo para que me candidatasse aos concursos de Miss.
      Você tem o mesmo sobrenome da minha família por parte de mãe: Silveira.

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  3. Ivana Cunha Santos6 de junho de 2016 07:38

    Olá Lidia ,bom saber de vc.Saudades!!!Grande abraço .Ivana Cunha Santos

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  4. Olá, Ivana:

    Bom saber de você também. Ainda continua em Petrópolis? Tenho a sua foto no álbum do meu casamento. Lembra?

    Beijos,
    Lidia

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  5. Olá, Ivana. Também fico feliz em encontrá-la depois de tantos anos. Ainda está morando em Petrópolis?
    Beijos, Lidia.

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